Caldo verde com afeto

 

Não, não é receita. Quer dizer, não é receita de sopa, como o título sugere. Talvez se possa dizer que é receita de algo que alimenta a alma.  Explico: existe um bar na praça Roosevelt que serve umas sopas que são tudo de bom nestas noites de inverno. La Barca é o nome do lugar, freqüentado por atores, diretores, poetas, notívagos em geral, inclusive um Charlie Chaplin que vende botões de rosa.  Eu me apaixonei pelo caldo verde do La Barca. Sei que leva couve, salsinha picada e pedacinhos de bacon. Mas leva também umas  tantas outras coisas que não vêm na receita original, ingredientes que fazem de uma cuia de sopa o alimento perfeito para a alma e o coração numa noite de inverno.  A sopa vem acompanhada do carinho dos meu amigos Célia e Albino, vem acompanhada da alegria daquele pessoal maravilhoso do Satyros, vem acompanhada do altíssimo astral do povo todo que espera a madrugada chegar nas mesas da praça Roosevelt.  Como é bom sorver cada colherada e ao mesmo tempo discutir os destinos do mundo com o meu querido Albino, aprender com a minha doce Célia para que serve o óleo de bétula,  ganhar abraços e beijos dos satyrianos e terminar a noite com  corpo e alma aquecidos pela sopa e pela amizade.

Sou uma privilegiada, afinal de contas. Continuo sem saber a receita do caldo verde, mas conheço o sabor da mistura do prato com o carinho dos amigos que eu tive a sorte de encontrar nesta vida.

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