Os bancos, seus lucros e os velhinhos

 

A imprensa está propagando os resultados obtidos pelos bancos Bradesco, Itaú e Brasil, os três primeiros da lista, nessa ordem. Números enormes que remetem a comparações do tipo: “quantos salários mínimos, quantas casas populares, quantos hospitais, etc., etc.,  corresponderiam a tais valores”. Vamos fugir do lugar comum e esquecer até mesmo a obscenidade dos juros que propiciam tais ganhos, e focar um outro aspecto da questão.     Afinal, banco não é instituição de caridade, banqueiro não é bonzinho e se o rico sistema financeiro brasileiro permite que proliferem tios Patinhas na categoria, sorte deles e azar nosso.  Mas quando a coisa sai do privado para o público, será que, mesmo com toda a boa vontade do mundo, é possível entender que um banco estatal esteja na lista dos mais lucrativos? E a esses níveis?  Banco público não é para financiar casa própria, escola, pequenos negócios, enfim, projetos que beneficiem o cidadão “dono” do banco?   Aí entram os velhinhos neste artigo. Vêm à minha mente aqueles tiozinhos que aparecem na TV, de cabelos brancos, sorrisos impecáveis e um ar de felicidade de quem está em paz com a vida e com o bolso.  Tudo graças aos empréstimos que são descontados na fonte na hora de receber a aposentadoria. Risco zero para o banco (a não ser que o velhinho morra, e eles estão cada vez mais longevos).  Imagino que os juros e taxas cobrados dessa população de idosos tenham ajudado o Banco do Brasil a alcançar tamanha lucratividade. Afinal, sorte dos velhinhos, que têm o que oferecer ao banco como garantia do dinheiro tomado emprestado. E azar de quem nada tem a oferecer e fica à margem do sistema.  Como estes são  maioria e em grande número, os balanços do Banco do Brasil tendem a engordar, pois o dinheiro não é  gasto com financiamentos de casa própria, hospitais, escolas, etc.  Sei que o assunto é  muito mais abrangente. Mas velhinhos aposentados sorridentes e lucros bancários estatais estelares  são duas coisas tão desconectadas do Brasil real que não dá para resistir à idéia de colocá-los juntos na mesma foto.

Animais

"CHEGARÁ O DIA EM QUE OS HOMENS CONHECERÃO O ÍNTIMO DOS ANIMAIS. NESSE DIA UM CRIME CONTRA QUALQUER DELES SERÁ UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE"

Leonardo da Vinci

Bono e Lula
Ontem vi uns trechos do show do U2 na TV. Achei tudo muito bem diagramado, bonito, mesmo não entendendo nada de rock. Estou mais para Beethoven do que para Bono Vox.  Achei o Bono uma simpatia e um político nato. E, como todo bom político, vive num mundo à parte e um tanto quanto desligado da realidade. É claro que não dá para ser contra quando  a TV mostra o celebrado roqueiro em incursões à África ou batalhando por causas como o combate à fome. Mas convenhamos: ir a Brasília visitar o presidente Lula e sair dizendo que o petista é seu ídolo, francamente!  Até dá para entender que um nordestino lá dos grotões ache o Lula o máximo após receber a cesta-esmola de todo mês. Mas o Bono? Será que o cara não lê jornais? Supondo que não os leia, será que ninguém à sua volta ao menos lhe cochichou ao ouvido que o "ídolo" é o comandante de um partido que, de vanguarda esquerdista e arauto da moralidade, mostrou-se um aglomerado de ratazanas vorazes?  Fico com a impressão de que Bono padece da mesma doce blindagem que cerca os poderosos, os famosos  e os endinheirados em geral. Essa gente parece estar sempre cercada de uma vassalagem que só lhe traz boas notícias.  Parece que as más notícias não chegam a eles, talvez resultado daqueles tempos em que os mensageiros que as traziam eram degolados.  Ainda assim, prefiro dar ao Bono o benefício da dúvida, acreditando-o ingênuo, simplesmente.  O roqueiro ainda acredita em sonhos esquerdistas terceiro-mundistas. E nada mais terceiro mundo do que o presidente Lula. Nada mais terceiro  mundo do que atropelar a língua pátria, dizer que não tem a cara da zona sul,  para logo em seguida embarcar num avião de 52 milhões de dólares, acender um charuto cubano e beber Romanée Conti.  E ser ídolo do Bono Vox.
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